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CONVIDADOS DE HONRA 2009 
 
Presidente de Honra

 

 



Carlos Manga
Cineasta, Diretor de Televisão, Roteirista, Produtor

(Rio de Janeiro - Brasil)


Filho do advogado Américo Rodrigues Manga e de Maria Isabel Aranha, José Carlos Aranha Manga nasceu em 06 de janeiro de 1928, no Rio de Janeiro. Começou a trabalhar como bancário, porém sua paixão pelo cinema logo o levaria para a indústria cinematográfica, através do cantor Cyll Farney. Na ocasião, foi contratado pela Atlântida, para trabalhar no setor de almoxarifado, e abandonou o curso de direito no segundo ano. Foi contra-regra, assistente de montagem, assistente de revelação e, finalmente, diretor. Seu nome artístico - Carlos Manga - foi sugerido pelo então presidente da companhia, Luiz Severiano Ribeiro Júnior.

Junto com Watson Macedo, foi um dos principais diretores do período de ouro - os anos 1950 - da Atlântida, onde esteve à frente de clássicos da chanchada como Nem Sansão nem Dalila (1954), Matar ou correr (1954) e O homem do Sputnik (1959). Fez sua estréia, inclusive, em um filme produzido em 1952 pela antiga companhia, e dirigido por José Carlos Burle, Carnaval Atlântida (1952). Na época, foi responsável por dirigir os números musicais.

Ao todo, Carlos Manga dirigiria 32 filmes. O primeiro deles, ainda na Atlântida, foi A dupla do barulho, em 1953. No elenco, além de Oscarito e Grande Otelo, os grandes astros da época, nomes como Wilson Grey, Fregolente, entre outros.

Começou a trabalhar na televisão no início dos anos 1960, a convite de Chico Anysio, na antiga TV Rio. Estreou dirigindo o programa O riso é o limite, depois passou por Noites cariocas, Agora é que são elas, entre muitos outros. Ainda naquela emissora, foi o responsável – junto com o técnico Marcelo Barbosa – pela primeira edição em videoteipe da televisão brasileira, feita para o humorístico Chico city, em 1961. Ainda no início da década de 1960, começou a trabalhar também com publicidade, atividade que desempenharia ao longo de toda a sua carreira no cinema e na televisão.

Contratado pela TV Excelsior, onde chegaria a ser o diretor geral, dirigiu programas importantes, como o musical Times Square, Vovô Deville, A cidade se diverte, Dois no balança, My fair lady, entre outros. Carlos Manga trabalhou também na TV Record de São Paulo, no final da década de 1960, ao lado de profissionais renomados como o produtor Nilton Travesso, o editor Paulo de Carvalho, o escritor Manoel Carlos e o humorista Jô Soares. Ainda na Record, criou programas como Preto no branco e Quem tem medo da verdade?, além de participar das edições do Prêmio Roquette Pinto, sobretudo a de 1968, quando se apresentou imitando o cantor norte-americano Al Johnson, devidamente caracterizado.

No início dos anos 1970, Carlos Manga morou durante quatro ou cinco anos na Itália, onde conheceu a Cinecittá e trabalhou com seu grande ídolo, o diretor de cinema Federico Fellini. De volta ao Brasil, em 1974, escreveu, produziu e dirigiu o longa-metragem O marginal, estrelado por Darlene Glória e Tarcísio Meira, inspirado nos métodos de direção aprendidos com Fellini. Em seguida, ainda em 1974, Manga escreveu e dirigiu Assim era Atlântida, em que contou com a assistência de direção de um iniciante promissor, Silvio de Abreu.

Em 1980, também convidado por Chico Anysio, foi contratado pela TV Globo, onde dirigiu a segunda versão do humorístico Chico City. Ainda na linha de humor da emissora, Carlos Manga dirigiu também Os trapalhões, na fase de maior sucesso do programa. Seu último trabalho no cinema, inclusive, seria ao lado deles, no filme Os trapalhões e o rei do futebol (1986), que contou com a participação especial de Édson Arantes do Nascimento, o Pelé.

Na década de 1990, já como diretor artístico de minisséries da TV Globo, Carlos Manga foi responsável por grandes produções da teledramaturgia brasileira, como Agosto (1993), Memorial de Maria Moura (1994), protagonizada por Glória Pires, e Engraçadinha... seus amores e seus pecados (1995), adaptação da obra clássica de Nelson Rodrigues, com Cláudia Raia no papel principal. Carlos Manga dirigiu ainda A madona de cedro (1994), adaptada por Walther Negrão a partir do romance homônimo de Antonio Callado; Incidente em Antares (1994), baseada na obra de Érico Veríssimo; e Decadência (1995), de Dias Gomes.

Além das minisséries, Carlos Manga tornou-se diretor de núcleo e foi responsável pela produção de duas novelas na TV Globo. A primeira foi o remake de Anjo mau (1997), escrita originalmente por Cassiano Gabus Mendes em 1976 e adaptada por Maria Adelaide Amaral, com a atriz Glória Pires no papel da vilã Nice. A segunda novela foi Torre de Babel (1998), de Silvio de Abreu, que teve no elenco grandes astros e estrelas da emissora, como Tarcísio Meira e Glória Menezes, Édson Celulari e Cláudia Raia, Tony Ramos, entre outros.

No final dos anos 1990, após a experiência com a teledramaturgia, e o êxito que suas obras obtiveram, Carlos Manga voltou a trabalhar com a linha de shows, na qual iniciara sua carreira, cerca de quarenta anos antes. Nessa linha, dirigiu desde programas de auditório, como o Domingão do Faustão (1989), quanto seriados, como Sandy e Júnior (1999) e O sítio do picapau amarelo (2001).

Carlos Manga iniciou os anos 2000 trabalhando como diretor artístico do Zorra total (1999), que reúne diversos humoristas da emissora. Em 2004, voltou a trabalhar como diretor artístico em uma minissérie da TV Globo. Em Um só coração (2004), de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, o diretor esteve à frente de um grande elenco, estrelado por Ana Paula Arósio, Édson Celulari, entre muitos outros. A minissérie foi produzida em comemoração aos 450 anos da cidade de São Paulo.

Aos 50 anos de carreira, o diretor foi homenageado e fez uma participação especial – no papel de si mesmo – na novela Belíssima (2006), de seu amigo Silvio de Abreu. Além disso, por sua contribuição ao cinema brasileiro, recebeu o primeiro troféu Oscarito, no Festival de Gramado. Em 2007, o núcleo Carlos Manga foi responsável pela produção da novela Eterna magia (2007), de Elizabeth Jhin, que contou com a supervisão de texto de Silvio de Abreu. Em setembro de 2008, a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) concedeu ao cineasta Carlos Manga o título de cidadão benemérito do Estado do Rio.

Em 2009 Carlos Manga foi o Patrono do 7º Curta Santos.


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